Legionella

O que é?

A Legionella é considerada uma bactéria ambiental que se desenvolve e vive em ambientes aquáticos (de água doce), naturais ou artificiais, de onde existe libertação de gotículas de água (aerossóis), responsáveis pela transmissão da bactéria.

Meios de desenvolvimento da bactéria

Lagos, rios, piscinas e reservatórios naturais ou equipamentos de refrigeração com água tépida são os ambientes mais comuns onde esta bactéria se pode desenvolver. Contudo, a sua disseminação é mais usual através de torneiras, chuveiros e termas, entre outros.

Fatores internos e externos podem levar ao crescimento da Legionella na construção de sistemas de água.

Fatores que levam ao crescimento da Legionella

  • Temperatura da água entre os 20 e os 45⁰C;
  • Estagnação ou renovação reduzida da água;
  • Presença de biofilme, depósito calcário, sedimento, lama, ferrugem ou outro material orgânico;
  • Complexidade e antiguidade das redes prediais;
  • Flutuações de pH;
  • Níveis inadequados de desinfetante;
  • Utilização de água não tratada.
A Legionella cresce melhor em grandes e complexos sistemas de água que não são adequadamente mantidos

Formas de transmissão

Por inalação ou aspiração gotículas de água suspensas no ar que contenham Legionella em quantidade suficiente e com características de virulência (existem várias espécies de Legionella).

A água contendo Legionella é aerossolizada através de dispositivos.
Fonte: https://www.cdc.gov/legionella/infographics/legionella-affects-water-systems.html

A Legionella pode causar a doença dos legionários e a febre de Pontiac.

É de salientar que a infeção por Legionella não é transmitida de pessoa para pessoa nem através da ingestão de água contaminada.

Quem está mais suscetível à Legionella?

A maioria das pessoas saudáveis expostas à bactéria Legionella não adoece. Aqueles que correm maior risco de adoecer são:

  • Pessoas com 50 anos ou mais;
  • Fumantes ou ex-fumantes;
  • Pessoas com doença pulmonar crónica (como doença pulmonar obstrutiva crónica ou enfisema);
  • Pessoas que têm um sistema imunológico enfraquecido ou tomam medicamentos que o enfraquecem (como após um transplante de órgão ou quimioterapia),
  • Pessoas que têm cancro;
  • Pessoas com doenças subjacentes (como diabetes, insuficiência renal ou insuficiência hepática.

Estas pessoas devem ser visadas na avaliação de riscos.

Quais os sintomas?

A infeção pode provocar os seguintes sintomas:

  • dor de cabeça,
  • dores musculares,
  • arrepios de frio,
  • febre,
  • tosse,
  • falta de ar,
  • dor no peito,
  • náuseas,
  • vómitos
  • e diarreia.

Se a situação se agravar, os sintomas podem evoluir para pneumonia e infeções respiratórias.

Medidas de prevenção

Para serem eficazes, as ações preventivas devem ser exercidas, desde a conceção das instalações até à sua operação e manutenção. Incluindo assim:

  • bom conhecimento de todo o sistema e equipamentos,
  • abrangendo uma inspeção regular a todas as partes do sistema,
  • um programa de controlo e de tratamento da água do ponto de vista físico-químico e microbiológico,
  • um programa de limpeza e desinfeção de todas as instalações
  • e, por fim, a existência de um livro de registo sanitário para cada um destes protocolos.

Os responsáveis pelos equipamentos, redes e sistemas (denominados responsáveis) previstos no artigo 2.º da Lei n.º 52/2018, de 20 de agosto, na sua redação atual, devem assegurar as medidas necessárias para garantir a qualidade da água nos pontos de utilização, minimizando o risco de exposição à bactéria Legionella.

De acordo com o n.º 1 da Lei n.º 52/2018, de 20 de agosto, na sua redação atual, os responsáveis pelos equipamentos:

a) equipamentos de transferência de calor associados a sistemas de aquecimento, ventilação e ar condicionado ou a unidades de tratamento do ar, desde que possam gerar aerossóis de água;

b) sistemas inseridos em espaços de acesso e utilização pública que utilizem água para fins terapêuticos ou recreativos e que possam gerar aerossóis de água;

devem elaborar, executar, cumprir e rever, sempre que necessário, o Plano de prevenção e controlo.

Os responsáveis pelos sistemas e redes:

c) redes prediais de água, designadamente água quente sanitária;
d) sistemas de rega ou de arrefecimento por aspersão, fontes ornamentais ou outros geradores de aerossóis de água com temperatura entre 20ºC e 45ºC;

devem elaborar e aplicar um programa de manutenção e limpeza por forma a prevenir o risco de proliferação e disseminação de Legionella.

Em ambas as situações, os responsáveis devem cumprir com o programa de monitorização e tratamento da água que se encontra definido no Despacho n.º 1547/2022, de 8 de fevereiro, bem como a adoção de outras medidas, nomeadamente:

  • Procedimentos adequados para o tratamento de água;
  • Assegurar um bom fluxo de água, evitando a sua estagnação ou armazenamento prolongado;
  • Impedir o processo de corrosão e incrustação através da implementação de mecanismos de combate a estes fenómenos;
  • Manter o sistema limpo para evitar a acumulação de sedimentos que possam abrigar bactérias.

Os responsáveis devem manter atualizados:

  • os registos associados à avaliação e implementação da gestão do risco,
  • o Plano de controlo,
  • os resultados analíticos,
  • as ações efetuadas,
  • e as respetivas medidas corretivas.

O referido Plano deve manter-se atualizado e ser revisto sempre que necessário em face de uma análise do risco e designadamente quando:

  • Houver mudanças significativas nas redes, sistemas ou equipamentos sobre os quais versa;
  • For identificada a ineficácia de medidas preventivas ou corretivas;
  • Existir nova informação sobre risco e medidas de controlo.

Sendo que, a maioria dos casos de doença por Legionella está associada a ambientes sujeitos a intervenção humana e que os últimos anos de pandemia COVID-19 tiveram impacto nas empresas, nomeadamente, processos de lay-off que obrigaram ao encerramento temporário das mesmas, redução de pessoal nas instalações e consequentemente na utilização/manutenção dos equipamentos, sistemas e redes, a probabilidade de criação de condições para a proliferação e disseminação da bactéria Legionella aumentou, constituindo assim, um problema de saúde pública.

Assim, deve existir uma maior preocupação e enfoque por parte das empresas em assegurar e manter as condições de segurança e saúde dos seus colaboradores, cumprindo com as obrigações legalmente impostas, assegurando que as medidas de controlo e de prevenção são implementadas, mantidas e atualizadas.


Fontes:

CUF, Advancecare, Direção-Geral da Saúde (DGS), Centro Tecnológico da Cerâmica e do Vidro, Revista Técnica de cerâmica e vidro n.º 16.

Lei n.º 102/2009, de 10 de setembro e suas alterações – Regime jurídico da promoção da segurança e saúde no trabalho.

Lei n.º 52/2018, de 20 de agosto. Diário da República n.º 159/2018, Série I de 2018-08-20.

Despacho n.º 1547/2022, de 8 de fevereiro. Diário da República n.º 27/2022, Série II de 2022-02-08.

Despacho n.º 5855/2014, de 5 de maio de 2014.

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