UM POUCO DA HISTÓRIA…

A Ergonomia surgiu, oficialmente, logo após a 2a Guerra Mundial, em 1949. Após se perceber que inúmeras falhas ocorridas que se deveram à inadequação dos mecanismos e áreas de acionamento às capacidades humanas.

O QUE É?

A ergonomia entende-se como a disciplina científica que procura a compreensão das interações do Homem com os restantes elementos de um Sistema (1).

O ergonomista tem um papel fundamental na contribuição do Design e na avaliação das tarefas, postos de trabalhos, dos produtos e ambientes de modo a compatibilizar com as necessidades, as habilidades e as limitações dos utilizadores (1).

Indicadores de necessidade de intervenção:

  • Aparente tendência para a ocorrência de acidentes e/ou lesões;
  • Ocorrência de lesões músculo-esqueléticas por trauma cumulativo;
  • Elevado absentismo e/ou elevado turnover;
  • Queixas persistentes por parte dos trabalhadores;
  • Operadores modificam os seus postos de trabalho – mobiliário, ferramentas;
  • Existência de sistemas de incentivos salariais;
  • Horas extraordinárias e aumento da cadência de trabalho;
  • Má qualidade no trabalho prestado;
  • Manipulação de cargas e trabalhos de manipulação repetitivos;
  • Trabalhadores com deficiências ou com capacidades diminuídas.

 

TRABALHO REALIZADO EM PÉ COM POSTURAS ESTÁTICAS OU FORÇADAS POR PERÍODOS PROLONGADOS

Entende-se por (2):

  • Postura em pé por períodos prolongados a situação em que o trabalhador permanece em pé por mais de 1 hora de forma contínua, ou por mais de 4 horas ao longo do dia.
  • Postura estática ou forçada em pé por períodos prolongados pressupõe igualmente que o trabalhador permaneça em pé num local específico (com os movimentos restringidos a um raio de 20 cm) sem conseguir obter descanso temporário, caminhando ou sentando-se.

Entre as profissões em que predominam as posturas em pé por períodos prolongados incluem-se: trabalhadores da restauração, soldadores e cortadores, vendedores de retalho, eletricistas, farmacêuticos, professores e educadores, fisioterapeutas, empregados de bares, trabalhadores das linhas de montagem, operadores de máquinas, vigilantes de segurança, engenheiros, técnicos de biblioteca, cabeleireiros, técnicos de laboratório, enfermeiros, assistentes sociais e rececionistas (2).

Os efeitos na saúde dependem de diferentes fatores, no entanto, os mais frequentes são (2):

  • Dores e lesões nas pernas, joelhos, tornozelos e pés;
  • Lombalgia;
  • Hipertensão/restrição do fluxo sanguíneo;
  • Doença cardíaca;
  • Varizes;
  • Fadiga;
  • Problemas na gravidez.

Em grávidas, os trabalhos em pé por períodos prolongados têm sido associados a efeitos prejudiciais para a gravidez (3). Este tipo de trabalho é cada vez mais cansativo à medida que a mesma avança, podendo aumentar o risco de varizes. O tempo de trabalho em pé por dia deve ser limitado no caso das grávidas (2).

As entidades patronais têm o dever de avaliar o risco e de implementar medidas preventivas adequadas a todos os trabalhadores com especial atenção aos grupos de trabalhadores considerados vulneráveis. As medidas devem, sempre que possível, passar por evitar os riscos e adaptar o trabalho ao trabalhador. A estratégia de prevenção deve garantir uma boa ergonomia no local do trabalho e a participação do trabalhador (2).

Medidas preventivas (2):

  • Proporcionar um local de trabalho ergonómico e um ambiente de trabalho adequado, incluindo uma cadeira, banco e postos de trabalho adequados;
  • Garantir espaço suficiente para as pernas, joelhos e pés;
  • Organizar o trabalho a fim de limitar a postura em pé, equilibrar as tarefas a realizar e proporcionar a rotação das mesmas, pausas quando necessário, etc;
  • Introduzir medidas suplementares a fim de reduzir os riscos: caso não seja possível evitar o trabalho em pé, optar, por exemplo, por tapetes e palmilhas ergonómicas.
  • Devem ter em consideração a altura em que o trabalhador realiza os trabalhos de modo a evitar que estes tenham de se esticar demasiado e evitar posturas incorreta do pescoço e tronco para visualizar ecrãs ou utilizar equipamentos de trabalho;
  • Encorajar a consulta e a participação ativa dos trabalhadores no âmbito das questões relacionadas com a segurança do trabalho;
  • Promover um comportamento saudável, através da sensibilização e da formação no âmbito da segurança do trabalho;
  • Implementar políticas e práticas organizacionais que visem garantir a concretização efetiva das medidas, por exemplo, prevendo a possibilidade dos trabalhadores comunicarem problemas relacionados com o trabalho em pé.

“PERMANECER EM PÉ QUANDO NECESSÁRIO, SENTAR-SE QUANDO PRECISAR E MOVIMENTAR-SE SEMPRE QUE POSSÍVEL” (4)

Referências:

  • IEA, What Is Ergonomics (HFE)?; 2013. Disponível em: https://iea.cc/about/what-is-ergonomics/
  • . EU-OSHA – Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho, Prolonged constrained standing at work [Posturas forçadas em pé por períodos prolongados], 2021. Disponível em: https://osha.europa.eu/pt/publications/prolonged-constrained-standing-postures-health-effects-and-good-practice-advice
  • Waters, T.R. e Dick, R.B., «Evidence of health risks associated with prolonged standing at work and intervention effectiveness» [Evidências de riscos para a saúde associados ao trabalho em pé por períodos prologados e eficácia da intervenção], Rehabilitation Nursing, Vol. 40, n.º 3, 2015, págs. 48- 165. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4591921/(12) Eurofound, «Sexto Inquérito Europeu sobre as Condições de Trabalho: 2015», 2015. Disponível em: https://www.eurofound.europa.eu/surveys/european-working-conditionssurveys/sixth-european-working-conditions-survey-2015
  • IWH (Institute for Work and Health), «Sitting or standing? Which is best?» [Em pé ou sentado, o que será melhor?], 2018. Disponível em: https://www.iwh.on.ca/videos-and-presentations/sitting-or-standing-which-is-best

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